domingo, 15 de novembro de 2009

Turismo Sustentável “retrato da cultura e da educação de um povo”
A atividade turística é uma das que mais crescem no mundo. Como qualquer atividade econômica tem a capacidade de causar impactos ambientais e socioculturais negativos. Impactos esses que poderiam ser minimizados, por meio de planejamento, da gestão e da educação adequada.

Partindo dessa premissa começamos a entender o que é turismo sustentável. Do meu ponto de vista, seria uma forma de pensar o turismo, no qual estabelecemos normas e critérios de conduta socioambientais, com objetivos de conservação da natureza e preservação histórica e cultural de uma região. Porém prefiro destacar uma definição em meio a tantas outras. Ela foi concebida durante um evento nos Estados Unidos, ocorrido no ano 2000, no qual 20 países discutiram programas de certificação em turismo sustentável e ecoturismo em âmbito global. O acordo de Mohonk, como foi denominado, diz: “Turismo sustentável é aquele que visa minimizar os impactos ambientais e socioculturais, enquanto promove benefícios econômicos para as comunidades locais e países receptores”.

Analisando esta definição concluímos que o turismo sustentável não se caracteriza por um tipo de turismo, como o ecoturismo, o turismo religioso e muitos outros. Ele é o retrato da cultura e da educação de determinado povo.

Antes de escolhermos um destino para nossas viagens, deveríamos fazer alguns questionamentos. O que eu quero com essa viagem? Qual é o meu perfil de visitante? Estou preparado para encontrar infra-estrutura diferente daquela encontrada em meu meio social? Vou respeitar o modo de vida das pessoas da região visitada?

Nas minhas viagens, eu procuro imergir na cultura local e respeitá-la, conhecer sua gastronomia, seu artesanato. Tolero as deficiências de infra-estrutura que encontro em muitos “paraísos” brasileiros, dessa forma vivenciar algo diferente do que costumo fazer. E, principalmente, proporcionar que os recursos oriundos da minha visita fiquem nestes destinos.

Sugiro então que, antes de viajar, cada um de nós reflita sobre para onde quer ir. Procure identificar o destino que mais se adequa ao seu perfil, tendo sempre em mente a valorização, compreensão e o respeito
à cultura do local visitado. Não deixe de considerar certas regiões simplesmente por achar que elas não possuem uma estrutura, cuja qual julgamos necessária para sermos felizes.

Aproveito e relato um episódio que aconteceu comigo, durante uma visita a uma comunidade ribeirinha da Ilha do Marajó, no Pará, a maior ilha fluviomarinha do mundo, rodeada pelos rios Amazonas e Tocantins. Um dos líderes comunitários, que era guia do nosso grupo, nos advertiu para não termos sentimento de pena pela comunidade que iríamos conhecer. Os moradores daquela região não tinham energia elétrica, televisão e outros bens materiais que julgamos básicos. Mesmo sem tê-los, lembrou o guia, as pessoas são muito felizes.

O turismo é bem democrático! Existem roteiros para todos os gostos, perfis e exigências. Não escolha um destino se você não possuir perfil para conhecê-lo. Quando pensar em um destino sustentável, abra mão da vaidade, do status que alguns locais proporcionam e permita-se ter uma experiência nova. Vivencie uma cultura diferente sem provocar aculturação dela. Não tente modificá-la à sua imagem e semelhança.

Da minha experiência de ter conhecido muitos países e boa parte do Brasil, onde percorri diversos roteiros sustentáveis, destaco o Mamirauá, uma unidade de conservação estadual, no estado do Amazonas, do tipo reserva de desenvolvimento sustentável. Trata-se da maior área protegida de Floresta de Várzea da Amazônia. Lá, me hospedei na pousada Uacari, nome de um macaco que somente se encontra nesta região. Em 2003, Mamirauá recebeu o prêmio de melhor destino de ecoturismo do planeta da revista americana Conde Nast Traveler. Também recebeu da revista americana Smithsonian, o prêmio de Turismo Sustentável na categoria conservação.

O que ficou de legado em minhas viagens foi a oportunidade de interagir com as populações locais, conhecer seu modo de vida, sua simplicidade, imergir nessas culturas, saborear sua rica culinária, seu artesanato. Para mim, essa é a verdadeira essência de viajar. A partir daí, comecei a entender e vivenciar o turismo sustentável. Somos apenas meros observadores, não devemos alterar nem provocar aculturação e impactos negativos nos destinos visitados. Apenas imergir neles, pois assim eles sempre serão sustentáveis para “seres sustentáveis” da nossa e da próxima geração.

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